Idealismo x realismo?

Depois de alguns desvios dos objetivos profissionais que até a pouco eram sólidos pra mim, decidi-me aventurar por caminhos pouco claros, o que poderia tornar-se uma situação razoavelmente drástica se falhasse na execução dos meus planos. Fato é que, medindo as consequências de maneira superfícial,pela primeira vez me vi agindo muito pouco racionalmente. Quando abrimos mão da razão e nos guiamos unicamente por quimeras obtidas de nossa natureza impulsiva, falta-nos o chão, fica-se um abismo interpondo o momento atual e o momento idealizado. Falta-nos o contraponto, a razão, base necessária pra concretizar ideais. Dessa maneira, as inconsistências, os vázios contidos nas ideias tempestuosas só podem resultar no desastre, cair no tal abismo, quando os meios falham. Aprendido isso, porei um pouco de lado esse romantismo pueril, dos sonhos que tinha de conquistas acadêmicas que eram pra mim essenciais na minha adolescência, mas que por pouca ou nenhuma motivação agi no sentido de conquista-las na época. Os sonhos voltaram apenas no meio do caminho que já havia perfazido: um estímulo quase que sobrenatural me veio ao espírito, e o meu racionalismo metódico transformou-se em fé cega na crença de que poderia obter êxito no empreendimento de tais sonhos. E de fato poderia, mas todo bom projeto demanda tempo, recursos, estratégia, e principalmente muito esforço. Visto que o meu estado de espírito só enxergou apenas esse último, executei tais planos, mas o tempo foi crucial, todos os ideais cairam por terra, mesmo depois de muita luta. Passado o fracasso, pude depois de certo tempo reconhecer as falhas, e mesmo depois dos prejuízos que que obtive com os vieses da minha derrota, posso restruturar tudo novamente, há sempre tempo pra se recomeçar.
Não estou afirmando que não podemos idealizar, mas sou da crença que a verdadeira fé deva passar pelo crivo da razão (não valendo o contrário). Acredito que essas duas correntes, tratadas sempre com dualidade, como se uma rejeitasse a outra, na verdade são complementares: podemos implementar todo nosso idealismo com bases lógicas.Na verdade são apenas palavras: nas nossas ações sempre há um pouco dos dois.Sâo princípios que emanam de duas fontes:uma é lógica,a outra é intuitiva. Nada melhor que o uso dinâmico dessas duas ferramentas na construção de um pensamento.

Morte?


Garantidamente a maior certeza que temos em nossa jornada terrestre é a de que ela é tem um prazo, um desfecho que aprendemos a considerar como trágico. A morte é um fato inerente a qualquer ser vivo, um acerto de contas com a natureza. Nota-se porém um medo de grande parte das pessoas, dúvidas sobre o que há além da morte física: será que esse é o fim?


O medo da morte influencia os comportamentos sociais , por exemplo, é uma das causas do individualismo presente no mundo ocidental. Pelo fato de achar que só temos essa vida e nada mais, busca-se por exemplo aproveitar ao máximo os prazeres, discorrer-se em excessos,ascender socialmente nem que seja às custas do próximo, enfim, as pessoas tornaram-se escravas do próprio ego. Mas se formos atentar racionalmente para a causa primária de todo esse temor com relação à morte, não se encontra um motivo real pra se temê-la. O que temos de concreto do que há além dessa vida, desse plano material? O que há de absoluto em nossas convicções quanto à nossa origem? O motivo dessas com perguntas é concluir que não se sabe algo sobre o que há depois dessa vida, nem sobre o que há antes, nem mesmo o que somos. Como disse Sócrates, “,... temer a morte é apenas acreditar ser sábio e não sê-lo, posto que acreditar saber aquilo que não sabe. E, em verdade, ninguém sabe se, porventura, não seja o maior de todos os bens que podem ser dados ao homem e, entretanto temem-na como se soubessem que ela é o maior dos males.”


No nosso mundo dualista, onde conhecemos apenas, tratamos logo de criar uma idéia oposta, assim como se criou o diabo, para contrabalancear a ideia de Deus. Acredito que a morte em si não exista, só vida, nem que haja mal, e sim ausência do bem, pois Deus não criaria algo que não tem domínio, que é o mal. Pois como todo efeito tem sua causa, o bem só pode gerar o bem, e não creio na hipótese de um deus mal. O que se chama morte é apenas um fim de um ciclo, uma renovação do que já não é mais necessário, porque tudo está em eterna mudança, exceto a própria mudança. Seria uma universalização do conceito de que nada se perde, tudo se transforma.




Versos

Depois de tanto tempo sem atualizar o blog, só mesmo pra postar alguns trechos da poesia "Acordar", de Álvaro Campos, que tirei de um livro que li faz algum tempo.
























Dá-me lírios, lírios

E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

[...]
Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

[...]
Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.

Tempo(1)

Quantas vezes nos encontramos em situações em que o tempo passa se arrastando, em contraste a outros momentos em que ele escapa aos nossos sentidos e parece voar?

O tempo, verdadeiro enigma no qual condicionamos todas as nossas ações, interligado às três dimensões do mundo material, porém algo não compreendido em sua essência. Nós tratamos logo de defini-lo: usaram como base os meridianos, e as sucessivas passagens do sol, padronizaram uma unidade de convenção, e com isso trouxemos o tempo de alguma forma pra "nossa realidade". As pessoas extremamente materialistas (geralmente do mundo científico) não suportam a idéia do desconhecido, do que não se pode ser percebido por nenhum de nossos sentidos humanos. E por isso estão sempre buscando definições, rótulos, para se sentirem mais seguros, fizeram isso com o tempo e assim puderam tocar nele, medi-lo. Materializaram, linearizaram o tempo a fim de poder adequá-lo ao “mundo real” que eles criaram com seus números, e forçadamente inseridos na nossa realidade com o nome de ciência. O mundo se resume a tudo o que a ciência puder definir (na visão dessas pessoas), e o que não puder é simplesmente menosprezado, usam dos termos mais sofisticados para nos convencer de que tal coisa não existe. Não se pode aceitar a idéia de que o ser humano tem seus limites, e de que não se pode achar que podemos compreender todo o universo, o que seria a maior das presunções. Basta pegar um simples exemplo: imagine uma criança que só saiba contar até dez. Será que ela pode deduzir que só existem esses números, só porque é o que está no seu horizonte de conhecimento, renegando toda a possível existência do infinitos números que o ser adulto conhece ? Para concluir a história, o que nos garante que nós não somos a criança?

Quem é você?


De maneira direta ou não, essa pergunta é feita constantemente na nossa sociedade. Muitas vezes mascaradas com questionamentos “ingênuos”, feitos em uma roda de conversa, mas o fato é que você vai um dia ser obrigado a tomar uma postura, seja se enquadrando em algum rótulo criado pela mídia, ou até mesmo em um rótulo de ser contra todos os rótulos.

Não existe espaço para a individualidade de cada ser. Não se pode ser diferente dos padrões, que logo encontram ou mesmo criam um novo pra você. Esse é um dos fatores que distanciam as pessoas umas das outras, criam-se grupos sociais de interesses e gostos perfeitamente idênticos, e que não se misturam. E os que não estão nesses grupos são os renegados do sistema, geralmente taxados como loucos, e de todos os insultos que os torne as piores pessoas possíveis.

Em sua maioria, são pessoas que não tem força para impor sua personalidade, e preferem se acomodar a viver vida de um ser ideal, criado e vendido pela televisão, e comprado pelas massas. Para o mercado é uma maravilha! Fabricar produtos pra abranger o máximo de pessoas o possível é o ideal. Imagine como seria se todas as pessoas fossem únicas? Não seria um mercado lucrativo, logo, estes são os mais interessados em manter esse sistema. Tem como veículo mais fiel a mídia: quase todos os padrões que existem foram criados por ela.

E a mídia fez seu trabalho muito bem feito. O que se criou foi uma grande massa, refém do consumismo, dos padrões de beleza, sempre insegura e geralmente infeliz por nunca alcançarem esse ideal de perfeição. Esquece-se da espiritualidade, da busca do conhecimento, para se preocuparem com coisas pequenas, quimeras que em si não guardam nenhum propósito universal, mas sim interesses de uma dúzia de pessoas.

Reflexo de tudo o que foi citado, as pessoas em geral procuram nos seus semelhantes a imagem de si próprias, e quando não encontram, tentam moldar as pessoas à sua volta de maneira a tornarem suas cópias. Negar o que é imposto por um desses grupos, é entendido de maneira pessoal, uma ofensa. Para as pessoas que foram supostamente ofendidas, é como se fosse uma ameaça ao que parecia tão perfeito, como se os alicerces do modelo que elas criaram, com cumplicidade mútua, ameaçasse ceder: é uma agressão a o ego desses indivíduos. Isso acontece porque esses modelos são artificiais, criados pela mídia, seguidos por pessoas sem amor-próprio, sem auto-estima para impor sua maneira de agir, de pensar, tão efêmero que é renovado constantemente, sem perder a idéia central é claro.