Morte?
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Garantidamente a maior certeza que temos em nossa jornada terrestre é a de que ela é tem um prazo, um desfecho que aprendemos a considerar como trágico. A morte é um fato inerente a qualquer ser vivo, um acerto de contas com a natureza. Nota-se porém um medo de grande parte das pessoas, dúvidas sobre o que há além da morte física: será que esse é o fim?
O medo da morte influencia os comportamentos sociais , por exemplo, é uma das causas do individualismo presente no mundo ocidental. Pelo fato de achar que só temos essa vida e nada mais, busca-se por exemplo aproveitar ao máximo os prazeres, discorrer-se em excessos,ascender socialmente nem que seja às custas do próximo, enfim, as pessoas tornaram-se escravas do próprio ego. Mas se formos atentar racionalmente para a causa primária de todo esse temor com relação à morte, não se encontra um motivo real pra se temê-la. O que temos de concreto do que há além dessa vida, desse plano material? O que há de absoluto em nossas convicções quanto à nossa origem? O motivo dessas com perguntas é concluir que não se sabe algo sobre o que há depois dessa vida, nem sobre o que há antes, nem mesmo o que somos. Como disse Sócrates, “,... temer a morte é apenas acreditar ser sábio e não sê-lo, posto que acreditar saber aquilo que não sabe. E, em verdade, ninguém sabe se, porventura, não seja o maior de todos os bens que podem ser dados ao homem e, entretanto temem-na como se soubessem que ela é o maior dos males.”
No nosso mundo dualista, onde conhecemos apenas, tratamos logo de criar uma idéia oposta, assim como se criou o diabo, para contrabalancear a ideia de Deus. Acredito que a morte em si não exista, só vida, nem que haja mal, e sim ausência do bem, pois Deus não criaria algo que não tem domínio, que é o mal. Pois como todo efeito tem sua causa, o bem só pode gerar o bem, e não creio na hipótese de um deus mal. O que se chama morte é apenas um fim de um ciclo, uma renovação do que já não é mais necessário, porque tudo está em eterna mudança, exceto a própria mudança. Seria uma universalização do conceito de que nada se perde, tudo se transforma.
Versos

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...
[...]Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.
[...]Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Tempo(1)
Quantas vezes nos encontramos em situações em que o tempo passa se arrastando, em contraste a outros momentos em que ele escapa aos nossos sentidos e parece voar?
O tempo, verdadeiro enigma no qual condicionamos todas as nossas ações, interligado às três dimensões do mundo material, porém algo não compreendido em sua essência. Nós tratamos logo de defini-lo: usaram como base os meridianos, e as sucessivas passagens do sol, padronizaram uma unidade de convenção, e com isso trouxemos o tempo de alguma forma pra "nossa realidade". As pessoas extremamente materialistas (geralmente do mundo científico) não suportam a idéia do desconhecido, do que não se pode ser percebido por nenhum de nossos sentidos humanos. E por isso estão sempre buscando definições, rótulos, para se sentirem mais seguros, fizeram isso com o tempo e assim puderam tocar nele, medi-lo. Materializaram, linearizaram o tempo a fim de poder adequá-lo ao “mundo real” que eles criaram com seus números, e forçadamente inseridos na nossa realidade com o nome de ciência. O mundo se resume a tudo o que a ciência puder definir (na visão dessas pessoas), e o que não puder é simplesmente menosprezado, usam dos termos mais sofisticados para nos convencer de que tal coisa não existe. Não se pode aceitar a idéia de que o ser humano tem seus limites, e de que não se pode achar que podemos compreender todo o universo, o que seria a maior das presunções. Basta pegar um simples exemplo: imagine uma criança que só saiba contar até dez. Será que ela pode deduzir que só existem esses números, só porque é o que está no seu horizonte de conhecimento, renegando toda a possível existência do infinitos números que o ser adulto conhece ? Para concluir a história, o que nos garante que nós não somos a criança?
